Como Escolher Seu Televisor


O dia 2 de dezembro de 2007 representa um marco na história das telecomunicações em geral, da radiodifusão em especial e da TV aberta um divisor de águas. Nesta data o Brasil entrou definitivamente na era da TV Digital, Livre, Aberta e Gratuita. Não é uma simples troca de tecnologia, trata-se de uma nova mídia à disposição do mercado.

O modelo de negócio da TV analógica, baseado na mídia de entretenimento, esgotou-se e deu lugar a um novo modelo, que mantém a característica de entretenimento, mas incorpora uma componente de negócios online e em tempo real. É como se as agências estivessem na palma da mão dos empreendedores, 24 horas por dia, 365 dias por ano.

Mas para usufruir dessas vantagens temos que assistir aos programas em uma tela e ouvir o áudio nas caixas acústicas. É bom lembrar que poderemos ter até seis caixas acústicas para compor um som envolvente. A finalidade desse texto é dar algumas dicas para o futuro telespectador tomar a decisão certa na hora de escolher o seu novo televisor dentro da melhor relação custo benefício.

1 – Onde o televisor vai ser instalado?

Parece uma pergunta óbvia, mas não é. Os atuais televisores de tubo têm tela de, no máximo, 29 polegadas1 (da ordem de 47cm de profundidade, formato de tela 4:3, largura de 59cm e altura de 44cm). Esses aparelhos representam dor de cabeça para arquitetos e decoradores comporem ambientes esteticamente harmoniosos.

Para ver um imagem de alta definição verdadeira (1920 pixels na horizontal e 1080 pixels/linhas na vertical) o televisor precisa ter, no mínimo, 42 polegadas (da ordem de 1.07m) de diagonal. Isso equivale a uma largura de 93cm e altura de 52cm, porque a largura/altura é 16/9. CUIDADO! As dimensões reais do aparelho são maiores que as da tela e precisam ser consideradas. Onde vou colocar esse aparelho?

2 – A que distância devo estar da tela?

Essa pergunta não vai ter uma resposta exata porque ela depende das características do olho de quem está assistindo, mas o Módulo Técnico do Fórum SBTVD estudou o assunto e conclui o seguinte: se Z é o tamanho da diagonal do televisor em polegadas e D a distância de observação da imagem em metros, são válidas as seguintes fórmulas:

- Para televisores 16:9 – D = 0.0147 x Z e para televisores 4:3 – D = 0.042 x Z.

Como nem todos podem ficar perpendiculares ao centro da tela, precisa ser considerado o ângulo de visão do televisor. Quanto maior esse ângulo, maior a possibilidade de posicionamento lateral para assistir televisão sem perda de qualidade. Sendo assim, é necessário que antes de adquirir um televisor, o consumidor avalie o ambiente onde será instalado de forma a garantir que o posicionamento dos telespectadores atenda ao ângulo de visão proporcionado pelo televisor. Isso deve ser verificado no local da compra.



Como nem todos podem ficar perpendiculares ao centro da tela, precisa ser considerado o ângulo de visão do televisor. Quanto maior esse ângulo, maior a possibilidade de posicionamento lateral para assistir televisão sem perda de qualidade. Sendo assim, é necessário que antes de adquirir um televisor, o consumidor avalie o ambiente onde será instalado de forma a garantir que o posicionamento dos telespectadores atenda ao ângulo de visão proporcionado pelo televisor. Isso deve ser verificado no local da compra.



O que precisa ficar bem claro é que esses dados são de referência, mas servem para uma aproximação inicial. Cada um deve escolher a melhor distância para que seus olhos não fiquem cansados. Uma dica boa é a seguinte: Não se pode ver os pixels da tela (se isso acontecer é porque o telespectador está muito perto) e nem ter dificuldades para perceber detalhes finos, como letras pequenas, por exemplo (se isso acontecer é porque o telespectador está muito longe).

3 – Como eu ajusto Brilho, Contraste, Saturação (Colour ou Color) e Cores (Tint, Hue, Matiz)?

Todos os televisores têm esses quatro controles. Brilho é a luminosidade da tela; Contraste é a distância entre os níveis de branco e preto; Saturação é o ajuste para colocar as cores mais berrantes, brilhantes; Cores é o ajuste que vai colocar a imagem mais azulada ou mais avermelhada. Esses parâmetros são muito subjetivos e devem ser ajustados somente uma vez, na presença de todos os usuários. Para iniciar é bom deixar todos eles na posição central, mas quanto maior o brilho de um televisor, maior será a quantidade de luz emitida e melhor será a qualidade da imagem, principalmente em ambientes com maior iluminação.

Uma boa dica para o Contraste é colocar a Saturação em zero (sem cores) e escolher o melhor valor sem que a imagem fique ruidosa. Saturação em excesso introduz ruído nas cores e deve ser evitado. Matiz é melhor deixar no meio.

4 – Como vou usar a interatividade?

Esse recurso é, sem dúvidas, uma das principais atrações da TV digital, livre, aberta e gratuita, mas para ser implementada exige recursos pesados das emissoras que já investiram muito para colocar os programas no ar, sem acréscimo de receitas. Mas antes de falarmos no serviço, vamos defini-lo de acordo com a teoria das comunicações. Interatividade é uma comunicação bidirecional, online, em tempo real, entre dois agentes, onde um deles é um banco de dados.

Claro que o pessoal de Marketing criou, a partir da definição teórica, muitos tipos de interatividades, e hoje qualquer DVD que se compra é interativo, porque tem dados auxiliares em relação ao conteúdo principal (filmes são os melhores exemplos). As emissoras vão também implantar vários tipos de interatividades, paulatinamente, de acordo com a realidade do mercado.

Mas, o que precisa fazer o telespectador? Ele necessita combinar quatro recursos:
1) televisor,
2) Antena UHF
2) conversor digital (set-top box) e
3) meio de conexão com a emissora.

O coração da interatividade é o software Ginga (middleware para TV digital adotado pelo SBTVD – ver “Ginga”) desenvolvido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que precisa estar instalado no conversor digital ou no televisor. Surgem várias opções, mas uma interessante é o PVR (Personal video Recorder – ex: videocassete) que permite gravar um programa enquanto assiste a outro. Uma boa aplicação para ele seria usá-lo em esportes. Se a emissora transmite um jogo de futebol, e usa o recurso da multi-programação, posso utilizá-lo para gravar os gols, enquanto assisto ao jogo normalmente; depois edito de acordo com o resultado.



O meio de conexão com a emissora também tem várias alternativas. Escrever um texto para descrevê-las ficaria cansativo; então o Fórum SBTVD preparou um formulário que servirá de guia para orientar o usuário no ato da compra; ele está no final do texto. O formulário fala em conversores digitais, mas vale também para os televisores, até porque existe a opção do televisor ter o conversor integrado. Sugerimos imprimir esse formulário (talvez umas três vias), estudá-lo e levá-lo para a loja no dia da compra. Se tiver dúvidas, esclareça com alguém de confiança ou envie um e-mail para o Fórum SBTVD através do Formulário de Contato.

5 – Como vou usar o meu acervo?

Esse é um ponto importante na escolha do televisor, porque vai dizer se posso ver as fotos da minha câmara digital, um DVD especial etc. São as conexões de vídeo no item 4 do formulário.

6 – E para o áudio? Quais os cuidados?

O áudio sempre foi um complicador para a TV, mas em algumas situações ele é mais importante do que o vídeo. Um exemplo dessa situação seria para as pessoas que seguem novelas normalmente. Se em algum capítulo intermediário o vídeo sumir da tela, mas o áudio continuar, o telespectador vai entender normalmente o conteúdo, mas o inverso não se aplica.

No caso da TV digital tem um complicador para as pessoas que já possuem sistemas de Home Theaters instalados; os formatos de áudio são incompatíveis para o som Surround, ou 5.1 – para estéreo eles são compatíveis. Mas a nossa indústria já resolveu o problema com um conversor. Verifiquem as conexões de áudio do formulário citado no item 4 acima.

7 – Algumas perguntas mais freqüentes:
7.1 – O que é exatamente alta definição? (1280×720 pixels? 1366×768? 1920×1080?)


Alta definição verdadeira é a Full HD. É a máxima resolução oferecida pela TV digital aberta. A imagem é formada por 1920 pixels na maior dimensão da tela (Horizontal) e 1080 pixels na menor dimensão (Vertical). Nos textos costumam aparecer 1920 pixels horizontais e 1080 linhas na direção vertical; multiplicando os dois números obtemos o número total de pixels da tela, ou seja, 1920 x 1080 = 2.073.000 pixels. A representação simplificada da Full HD é 1920 x 1080. Qualquer valor diferente desses não é Full HD; pode ser TV digital, mas a definição será inferior a de 1920 x 1080.

7.2 – A alta definição tem alguma relação com o tamanho do televisor?

Não, mas para ver uma imagem em Full HD o televisor deve ter, no mínimo, 42 polegadas de diagonal – aproximadamente 1.06m.

7.3 – Quais aspectos são importantes em um televisor para captar imagens em alta definição?

Para receber imagem em alta definição basta ser 1920 x 1080, mas os outros recursos (áudio, interatividade etc) estão descritos na folha de cadastro que compõe o texto.

8 – Quais são as diferenças básicas entre os formatos 4:3 e 16:9?

Esses números representam a relação entre largura e altura da tela. Os televisores Full HD são todos 16:9 e os de tubo (que funcionam hoje com a TV analógica) são todos 4:3, mas há estudos para fabricar televisores de tubo Full HD. O formato 16:9 é chamado de tela de cinema ou Widescreen.

9 – O Ginga poderá ser instalado em qualquer tipo de conversor?

Isso vai depender do tipo/modelo do televisor/conversor. O formulário que compõe o texto deixa isso muito claro e o futuro comprador deve ter muito cuidado na hora da compra para não decidir errado.

10 – Quais são as principais possibilidades de interatividade?

Existem vários tipos de interatividade, mas a mais completa é aquela que permite ao telespectador interagir com o programa na hora que ele está sendo exibido; um bom exemplo é poder comprar um produto que aparece na cena usando o controle remoto. Essa facilidade vai ser implementada paulatinamente pelas redes de TV, porque os investimentos são altos.

11 – Quais são as diferenças básicas entre os aparelhos de Plasma e LCD?

Em termos de qualidade subjetiva (feita sem instrumentos) as tecnologias são equivalentes. O mercado internacional está vendendo mais LCD do que Plasma. A principal desvantagem do Plasma é que ele pode “marcar a tela” com alguma parte da imagem muito tempo parada no mesmo lugar – quase todos monitores dos caixas dos bancos apresentam essa deficiência. No LCD a desvantagem chama-se “Pixels mortos” (Death pixels) que faz uma linha (ou parte dela) ficar com uma cor constante. Uma solução é, na hora da compra, colocar a mesma imagem nos dois tipos e escolher a que melhor agrade ao comprador.
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